Sobre a vida, viver melhor, reflexões, artigos com práticas, etc. Reflexões. Postagens de cunho questionador, existencialista e/ou filosófico. Assuntos normalmente polêmicos ou com muitas perspectivas podem ser incluídos nesta categoria, assim como publicações que realmente levem a pensar e/ou discutir o assunto sob aquele viés que se apresenta.

O que nos impede de ser mais feliz?

Desculpe. Eu me desautorizei expressamente de responder perguntas genéricas desse tipo para a sua vida. Porque, infelizmente (será?) eu não te conheço. Mas, para tentar ajudar no caminho tortuoso rumos aos tesouros do autoconhecimento, vou compartilhar minhas descobertas. 

O descontrole da Dolores, do Eufrades e outras coisas aí

Sabe quando sua mãe, qualquer adulto ou seu primo mais velho que se achava o sabichão, dizia que você não era todo mundo? Poisé, nesse caso, você é sim.

Porque todo mundo, até vocêzíssimo, acumula coisas ao longo da vida que vão dando forma a sua existência. Então a gente vai seguindo morreba abaixo, morreba acima, e na retona da vida. E nisso a gente vai catando coisinhas no caminho.

Aqui nem estou falando de coisas propriamente materiais. Estou falando exatamente do que é intangível, mas perene ao longo de todo esse caminho. Vamos chamar essa bolinha — esse emaranhado de coisas confusas que remoemos ao longo da vida, de Dolores

as coisas que acumulamos ao longo da vida costumam direcionar para onde seguimos ou podemos seguir
não entenda mal, o nome não é para ser sugestivo…amo minha Dolores, e espero que você ame a sua também!


Assim, conforme o tempo vai passando, nossas Dolores também se transformam. Aumentam, diminuem, desaparecem e se adequam a momentos e distrações que as levam para longe.

Ainda que a Dolores de cada um deva ser respeitada, até eu sou obrigada a concordar que ás vezes deixamos que ela passe dos limites, principalmente quando se junta com Eufrades, um competente radar-auto-falante-esponjoso.

Pelo menos é assim que eu vejo esses dois amores.

Vamos falar desse romance

Eu sempre fui muito perceptiva a tudo ao meu redor que, por qualquer razão, me interesasse. Então minha Dolores ficou grande e forte rapidinho, assim como eu. 

No entanto, manter o foco nunca foi muito uma habilidade minha. Sempre fui mais acumuladora do que propriamente uma agente de mudança.

tem horas que a gente se surpreende com a gente mesmo


Então eu só ia engordando a Dolores, sem nunca pôr aquela massa de coisas a trabalhar. Mesmo assim (ou talvez por isso), vez ou outra a Dolores ficava tão distante que eu não conseguia ver e a vida parecia mais simples.

Mas meu radar continuava ligado e eu não deixava de ser esponja, absorvendo tudo que via, lia, escutava — reverberando essa “riqueza” de conteúdo dentro de mim. 

Esse competente radar-auto-falante-esponjoso é a quem chamo de Eufrades

Nunca importaram as circunstâncias: Eufrades se comportava sempre um dedicado trabalhador, repetindo continuamente tudo que eu precisava fazer: estudar para ter um bom emprego; emagrecer para ser saudável, aceita e feliz; socializar mais e gastar menos tempo na biblioteca com medo do mundo. 

E não posso dizer que ele estava totalmente errado. 

No entanto, ás vezes, ele ficava sem controle e achava muito coerente me lembrar que eu precisava, urgentemente, planejar toda a minha vida, pois iria ficar para trás. “Já está ficando”, ele dizia ás vezes. Ou: “Não adianta nada ficar olhando pro horizonte…como você vai chegar lá?”.


Então, comecei a traçar planos e sonhos reais

E, com mais ou menos treze anos, resolvi tudo, torcendo para o Eufrades fechar aquela matraca. Decidi, por exemplo, que ter meu próprio apartamento e carro aos 23 – no máximo 24 (porque ne, eu era muito realista) – e trabalhar em um lugar com chão de vidro transparente.

Lá, eu andaria fazendo um toc-toc ritmado e sutil com meu salto; desfilaria com meu conjunto de alfaiataria cinza grafite, meu cabelo bem arrumado e uma pasta de couro elegante e feminina nos braços.

a expectativa e a realidade dos nossos sonhos e a nossa verdasdeira felicidade
até a poderosa Jéssica Pearson estava aquém da minha imaginação, mas digamos que era mais ou menos assim


Quando eu passasse, as pessoas me olhariam com admiração e respeito sem que eu me sentisse constrangida: porque eu simplesmente saberia que era merecedora daquilo, e aí tudo bem.

De manhã eu iria acordar e minha assistente pessoal estaria me aguardando com uma mesa de café da manhã simples e deliciosa, composta de geleias e suco natural; croissant, queijos e frios, ovos cozidos no ponto que eu gosto.

Eu tomaria o café já perfeitamente arrumada, sem um fio saindo do penteado. Maquiagem no ponto. Sairia de casa assim, impecável.

Do mesmo modo, chegaria ao meu posto de trabalho, onde exerceria algum ofício de excelente rendimento, com a competência e alto desempenho que me garantiriam crescer absurdamente e ganhar ainda mais.

Só que não

Nem preciso dizer que, nessa fantasia, quase tudo mudou. Até porque o despertador tocou e a vida real começou a chamar.

No meio do caminho, assim que tive a primeira oportunidade de começar a me tornar aquela pessoa, achei que simplesmente não tinha amadurecido o suficiente e não era digna desse papel ainda

Depois, mais velha, blindada e madura…bem, eu seguia me sentindo igual: com aquele peso incongruente de assumir o conjunto de alfaiataria cinza, salto alto, maquiagem diária, e roupas elegantes de todo dia (e eu sequer sentia que era merecedora de respeito ou admiração).

Algo estava errado (e ficou ainda mais)

Foi o que comecei a perceber, sem me dar conta do quão urgente era eu descobrir. Até que entendi, aos poucos, com um passo de cada vez, as batalhas pelas quais precisava lutar.

O primeiro estopim da guerra que travei dentro de mim foi quando perdi meu pai de uma forma dolorosamente inesperada.

Não quero usar de drama para conquistar mas é inevitável falar da minha trajetória/dos meus grilos e preocupações, sem falar daquele momento: porque eu realmente achei que não poderia suportar.

Mas, como humana obediente e sem a devida inteligência emocional, segui com esmero cada etapa do luto: odiei a vida, o mundo, as pessoas. Tinha raiva. 

Uma sensação insuportável de impotência e “desnecessidade” do existir tomou conta de mim. E é claro: eu não estava disposta a ouvir nada, embora muita gente tivesse tentado me dizer coisas importantíssimas.

Nesse processo, as conversas, o apoio e a troca de idéias que encontrei num grande amigo meu foi fundamental. Voltei a questionar alguns parâmetros, fazer perguntas sobre o mundo, sobre mim mesma.

Sobre a vida. Sobre como realmente não somos e não controlamos nada e como digerir e digerir tudo.

Hoje entendo que tudo realmente acontece por uma razão — além disso, era uma forma de tentar dar algum sentido à  “despessoalidade” daquele homem que eu supunha ser forte o suficiente para ser eterno. 


O primeiro checkpoint é a dúvida

Se existe uma palavra especial para nossos saltos no idioma francês, talvez o impulso para esses pulos também mereça nossa atenção. Você já passou por momentos assim? Um episódio marcante na sua vida?

Se já, é possível que tenha se deparado com dúvidas originárias, e poderia identificar pelo menos uma engrenagem, dentro de você, que passou a funcionar diferente.

Caso esteja passando por algo semelhante, a pessoa que você será depois que tudo se resolver, já não será a mesma. Se você não passou, um dia vai passar. Espero que lembre-se do que vou dizer. 



São os momentos de queda que antecedem o salto. Acredite: por mais difícil que seja, a dor tem um potencial enorme de nos transformar.

E acho que isso ocorre porque normalmente ela nos coloca em dúvida. Cria perguntas que não existiam e reverbera outras que decidimos simplesmente deixar de lado e fingir que nunca existiram – até aquele ponto.

Bom, embora esse não tenha sido o primeiro quatervois da minha vida, certamente foi o primeiro mais doloroso: questionei tudo, duvidei de tudo e, a partir daí, fui reconfigurada

Não entendam errado: não acho que a dor seja o único caminho. Pelo contrário, penso que não deve ser. Mas diante do inevitável da vida, pode ser uma ótima (embora cruel) propulsora da dúvida.

Afinal, duvidar é um dos sinais mais sublimes da nossa evolução: é um momento excelente para dar espaço a outras possibilidades.

Foi assim que uma possibilidade alternativa começou a se desenhar na minha cabeça: um contexto mais ameno, que já tinha permeado minha imaginação em outras ocasiões, voltou para disputar com aquela fantasia urbana de comercial de banco dos anos 90.


Fez-se luz: uma nova imagem começava a se formar

Nela, eu levava uma vida simples, vestia roupas confortáveis, estava de cara limpa, com o cabelo no máximo preso num coque. 

Sentada em uma mesa, eu podia sair de vez em quando para ver o verde, o céu, ouvir os pássaros; observar o mar ou alguma extensão de água e voltar ao trabalho, com um sorriso tranquilo.

Mesmo assim, por mais alívio que essa construção me trouxesse, vi como uma opção bastante ponderada dividir tais circunstâncias: poderia trabalhar na cidade, e depois chegar em casa, num lugar tranquilo e em paz.

Nem preciso explicar como isso estava errado. Mas ainda levei tempo para perceber que essa fenomenal flexibilidade era, na verdade, uma dualidade inviável e frustrante. 

Primeiro porque descobri que nunca estaria pronta para a projeção cosmopolita e urbana: aquele papel não me pertencia, seria só isso, um personagem.

Segundo porque comecei a entender algo que, para mim, hoje, faz muito sentido: não dá para ser metade autêntico e se dividir assim torna tudo ainda mais difícil.


Somos um só. E insistir em ir para dois caminhos tão opostos pode nos dividir tanto, a ponto de perdermos um pedaço da gente.

sobre autenticidade - trecho Lucifer S04E06 - sábia Dra. Linda
 sábia Dra. Linda


Era hora de dar uma esticada na Dolores

Então, quando notei que precisaria decidir, mas realmente não enxergava a opção “certa”, escolhi revisar meio sem-querer mesmo, mesmo no automático, tudo que eu era.

Peguei Dolores com carinho. Primeiro achei a pontinha mais recente e fui desenrolando todo o resto até achar a ponta mais antiga. 

Queria olhar meu passado com a nova perspectiva, descobrir de onde eu tinha tirado tantas ideias sobre quem eu seria ou deveria ser, na tentativa de finalmente encontrar meu pedaço mais importante.

Até que, passeando pelos nós firmes da Dolores e andando pela cidade, pensei em como eu detestava concreto, prédio, barulho, buzina, cinza. Por outro lado, olhava para o céu e me sentia livre. 

Foi mais ou menos assim que passei a descobrir a vida e a cidade de outros jeitos, me deslocando de bicicleta na maior parte das vezes. O vento no rosto, a fluidez de tudo, o mundo me pertencendo por um segundo. Eu, só eu, fazendo o caminho que quisesse, na velocidade que escolhesse.

E, finalmente, tive certeza: aquela primeira fantasia nunca foi real, nunca foi minha.  [imagine um mindblow agora].

Pode ter vindo de algum filme, novela. Devo ter visto alguma mulher poderosa que eu admirava — porque mulheres poderosas sempre fizeram parte da minha vida.

Talvez, por acaso, ela usava como armadura o terninho cinza, a maquiagem e o salto alto, me levando a associar as duas coisas; poder e estilo de vida cosmopolita. Poder e sucesso. Sucesso e felicidade.

Ou, quem sabe, nem tenha sido assim a construção desse formato de vida ideal. Vai saber. Não posso dizer de onde veio a noção de que aquelas coisas eram as minhas coisas, as coisas que eu desejava. Nem importa mais, porque depois eu soube.

E descobri que o caminho seria difícil de qualquer jeito. Mas poderia ser um pouco menos pesado. Decidi seguir tentando superar os percalços certos: ilusão por ilusão, escolho a minha. 

Recapitulando…

 

tire os entulhos do seu caminho que te impedem de ser mais feliz

 

Embora essa seja uma representação precisa da minha jornada, ao longo das conversas e leituras percebi que existe sim uma ocorrência predominante nos fatores que nos levam a ser menos felizes e na sequência de checkpoints que acontece no processo que vai do ponto A (completa ilusão e piloto automático) ao ponto B (entendimento, aceitação e ação consciente).

Fatores que nos afastam do que buscamos

  • acúmulo de resquícios mal resolvidas que constrem nosso sistema de crenças;
  • projeção superestimada do instinto de defesa que nos leva a autosabotagem;
  • resistência em confrontar e aceitar verdades sobre nossa vida;
  • construção de fantasia projetada como ideal, segundo expectativas de terceiros.

Sequência de checkpoints

  1. o processo de dor e dúvida vivido sem distrações;
  2. a interpretação dos problemas como campo fértil de oportunidades;
  3. risco de regredir com tentativas de esquemas de negociação com a realidade;
  4. aceitação do que podemos e não podemos controlar e a reação diante do inevitável;
  5. reconfiguração do nosso sistema de crenças e das verdadeiras possibilidades.

 

PRÁTICA

Para não deixarmos que minhas maluquices morram na praia, vou buscar sempre deixar uma prática: uma sugestão de algum exercício que me trouxe um bom resultado, fruto do instinto, das leituras ou das conversas com outras pessoas.

clique para ouvir a música recomendada para essa prática
Por isso, gostaria de propor algo nem seu Eufrades mais atento ou sua Dolores mais enloquecida poderia negar. Ah! Se tiver postits talvez eles sejam úteis. 
1. Pegue uma folha e divida em três partes/colunas. Em uma escreva Felicidade (1) Dolores (2) e Eufrades (3) – ou seu próprio nome para cada um deles. (ou baixe o arquivo prontinho, disponível no final da página)

2. Na primeira coluna responda à pergunta: “O que realmente é felicidade pra mim?”. Na segunda coluna escreva tudo aquilo que te deixa desconfortável, fruto de episódios anteriores que não foram devidamente processadas e resolvidos (coisas que as pessoas te disseram, que você viu, que sentiu, etc). Na última coluna escreva seus pensamentos mais persistentes (tanto os que te incomodam quanto os que não são um problema aparente para você) e que, na grande parte das vezes, guia suas decisões, seus objetivos, etc.  

3. Analise cada um dos elementos das colunas e veja se existe algum tipo de relação entre eles. Se puder ou quiser, você também pode compartilhar com alguém de sua confiança, com quem poderá falar a respeito e facilitar no processo de insight.

4. Com bastante honestidade, defina pelo menos um e no máximo três elementos que estão sendo obstáculos no caminho do tipo de felicidade que você busca e definiu na primeira coluna. Observação importante: pode ser, que nesse momento, você até perceba que precise alterar o que escreveu na coluna 1: tudo bem. O importante é buscar a verdade. 

5. Deixe esse material guardado em algum lugar que você possa revisitar com alguma frequência e faça os ajustes que considerar necessário ao longo da sua evolução.
Se quiser, publique sua experiência no instagram e twitter usando #assimpassa ou nos envie um e-mail!

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O primeiro passo para você ter uma vida mais calma

Antes, vamos esclarecer algumas coisas.

Primeiro: não, eu não sei qual é a sua realidade. Se você precisa, por exemplo, trabalhar durante o dia, estudar a noite, e trabalhar num segundo turno de madrugada, não viver com pressa é mais difícil. Mas é ainda mais necessário.

Então, como sempre, tudo pode ser adaptado. É questão de ritmo, de prioridade e de escolha. Agora, vamos lá:

 

Ter uma vida mais calma, tranquila e paciente é possível?

a vida passa, mas não precisa ser sempre na correria


Quero crer que sim. Paciência é uma das habilidades mais incríveis. Eu imagino, claro. Porque se tem uma coisa que eu não sou, essa coisa é calma.

Eu tenho pressa. 

E a gente pode até achar lindo isso — quando eu tinha 21 eu achava. Essa fome de mundo, de vida, de experiências, de viagens, de coisas, de dinheiro, de tudo. Mas, na prática, quando se torna uma constante, e não um desejo propulsor de uma fase específica, é bastante desgastante. 

Se for o seu caso, se você sente que tem pressa e está tudo bem com isso, que ótimo: compartilhe! No entanto, se você sente o desconforto da dúvida sobre o ritmo das coisas na sua vida, talvez seja um bom momento para pensar sobre isso.


Você fala muito rápido, gesticula demais, ta sempre “correndo” para alguma coisa? Bom, se for o caso acho que não tem muito o que discutir.

Mas nem sempre vemos os sinais óbvios (estamos com muita pressa para isso) e nem sempre eles são tão óbvios assim. Eu, por exemplo, precisei fazer algumas perguntas para mim mesma:

“Por que escuto tanto ‘calma, tudo no seu tempo’, ‘calma’, ‘respira’, ‘calma’, ‘pára’, ‘calma’. Será que eu sou mesmo apressada? Ou será que tratei de me apressar ao ver a vida passar?”


Olhar para trás para olhar para dentro

Para responder a algumas dessas perguntas, acabei olhando para o ponto mais “atrás” que pude. Foi assim que confirmei como sou apressada.

Descobri que, quando eu era criança, já ficava me imaginando no futuro. Adulta. Um ótimo exemplo disso, talvez o caso mais antigo que me lembre, foi no jardim de infância. 

A professora nos levou para fora e nos convidou a sentar em círculo no gramado, para nos apresentarmos. 

Logo que ela falou o objetivo, comecei a pensar no que iria dizer, como iria dizer — como se houvesse muito a ser dito ou alguma coisa para esconder sobre minha tenra experiência.

E então, assim foi. Tudo correu normalmente e minha ansiedade foi diminuindo à medida que entendi que todos tinham mais ou menos 3 ou 4 anos, falavam só o primeiro nome e era no máximo o segundo ano “escolar” de todos.

Até que o Bruno se levantou e disse: “Oi. Eu sou o Bruno e tenho 7 anos.

chocado


Meu olhar, naquele momento, deve ter se iluminado. Estava ali um ser-humano de sete, SETE anos. Em instantes, Bruno se tornara meu objeto de admiração e respeito. 

Comecei a me imaginar com incríveis SETE anos. Como eu seria? O que eu estaria fazendo? Eu seria tão alta quanto ele? Eu teria sardas como ele? 

Eram minhas perguntas naquele momento. 

Mas não foi o que a professora havia perguntado, provavelmente mais de uma vez, já que todos estavam me olhando. E eu percebi que tinha esquecido o que eu precisava falar. 


Então este é o passo #1: Pare de tentar ludibriar sua Realidade.

Porque ás vezes, é assim. A gente fantasia com o futuro e com tudo que vai acontecer nele. E obviamente existem inúmeros problemas nisso. Mas vou citar estes:

  • Dona Realidade precisa: A gente acorda com a realidade batendo na sua porta, esperando que você execute coisas para as quais esqueceu-se de preparar-se, levando você a tentar resolver tudo antes que seja tarde.

  • Dona Realidade desiste: Ás vezes simplesmente é tarde. Corremos o risco de acordar para a realidade do presente quando ele já se tornou passado e não há mais nada para fazer.

Pelo menos comigo, acabo indo para o futuro justamente com medo de chegar num ponto onde eu não possa mais corrigir minha história — ou uma parte dela.

É o pretinho básico da minha vida: errar por medo de errar.


Dona Realidade precisa

Esse problema passou a ser mais perceptível no início da vida adulta, quando me via tendo que fazer algumas coisas ás pressas. Não estou nem me referindo a imprevistos, a momentos em que parece que tudo acontece ao mesmo tempo e são específicos. 

Estou me referindo a funções regulares. 

A tarefas frequentes e relativamente fáceis de realizar, uma vez que eu sabia como, já tinha feito e sabia que viriam, antecipadamente: trabalhos de faculdade, estudar para a prova, escrever um texto, arrumar a mala, etc. 

Essas tarefas se tornavam urgentes a medida que o tempo passava enquanto eu estava preocupada com outras coisas, que não eram urgentes ou sequer existiam. E aí eu não conseguia fazer mais nada. 

Não conseguia apreciar ou dar atenção ao que estava acontecendo ao redor de mim. Porque eu precisava estar naquele ritmo que precisava dispensar qualquer outra distração.

O cachorro latindo na rua me incomodava mais do que deveria; as pessoas falando indevidamente comigo quando notavelmente eu estava precisando concluir algo me irritavam; o barulho do telefone martelava na minha cabeça.


Dona Realidade desiste

Aí entra o segundo caso, quando a Dona Realidade “desiste”. Não precisa estar à beira da morte para passar por isso. Podem ser momentos simples. Coisas que simplesmente perdemos por não estarmos suficientemente atentos. 

A Realidade está continuamente esperando que executemos algo, ou nos dando oportunidade de executar algo: ao nos encontrar tão ocupados, ela tende a procurar outra pessoa. 

E ter pressa me levava a não prestar atenção e viver as coisas na hora certa. Eu deixava para depois as coisas “chatas” fantasiando com coisas “legais” que poderiam acontecer. 

 

Mas as coisas chatas são aquelas que a Dona Realidade nos cobra. Enquanto as coisas legais que idealizamos são aquilo ela nos oferece — mas só entrega quando prestamos atenção.

 

procrastinação e a realidade


Portanto, ao fazer as coisas com pressa, fui perdendo oportunidades de aproveitar com totalidade o que a Realidade tinha para me oferecer. Ter pressa me impedia de viver as coisas na hora certa, explorar as experiências e colheitas. 


Eu não estava prestando atenção, eu estava ocupada demais fazendo as coisas com pressa

Então eu passava a ficar apenas com as coisas que a realidade PRECISAVA que eu fizesse, do único jeito possível: com pressa. E o ciclo tornava a se repetir. Para mim, esse se tornou o pior problema. 

A sensação de que eu era um hamster, e a vida era o cientista me observando com curiosidade e dizendo aos seus colegas: incrível, ela realmente ainda não entendeu.

Quando estamos fazendo as coisas com pressa, até as coisas que poderiam ser boas e agradáveis, nos irritam. E as coisas que são desagradáveis e irritantes por si, nos levam mais rapidamente ao colapso nervoso. 

Estava na hora de fazer as pazes

Era a minha realidade.

E aquilo, claramente, não estava me fazendo bem. Estava na hora de pôr novas regras no relacionamento abusivo que eu vinha tendo com esta senhora impecável chamada Realidade.

Precisávamos de um alinhamento. Ela estava precisando ou me oferecendo coisas que eu não estava sendo capaz de entregar. 

Embora eu sempre tenha sido comprometida com metas, prazos, e em dar meu máximo para que cada coisa ficasse boa o bastante, estava pagando caro pelas minhas escolhas. 

Assim, olhar para trás, me preparou melhor para mastigar bem mastigadinho o papo passivo-agressivo da Dona Realidade. 

Identifiquei algumas percepções construídas que limitavam minhas possibilidades, analisei a origem do problema. E pude ver as coisas sob outro ângulo.

Viver tranquilamente era possível, e só dependia de mim. Foi minha vez de impôr limites. Assim, essa foi uma importante resolução tomada entre o final de 2016 e início de 2017 e que se aperfeiçoou a cada novo aprendizado:

Fazer as coisas com menos pressa

uma vida mais calma

Simples. Ao mesmo tempo dificílimo. Porque envolve hábitos, e hábitos não são como decorar uma fórmula, mas sobre entender e praticar o problema. Ou melhor, a solução.

No meu caso, precisei de alguns critérios que serviram como base e talvez te ajudem bastante. Este, este, este e mais este artigo, inclusive, falam sobre isso. Mas, basicamente, as regras principais que adotei, tiveram muito resultado e por isso indico foram:

  1. Conhecer-se: seu ritmo, prioridades, sacrifícios que está disposto a fazer;
  2. Manter as coisas arrumadas diariamente;
  3. Focar no horário que precisa SAIR, não no horário do compromisso;
  4. Ter um dresscode básico e versátil;
  5. Dizer não para coisas que não são prioridade; 
  6. Fazer coisas rápidas e urgentes primeiro;
  7. Calcular rotas antecipadamente;
  8. Criar rotinas para tarefas padrão;
  9. Anotar tudo e fazer listas mais direcionadas;
  10. Pedir ajuda e ser honesto.

 

É claro que incorporar consistência e não falhar nunca é uma equação que ainda não domino. Mas tenho entendido um pouco melhor e gostado bastante dos resultados: passei a me conectar mais facilmente com as coisas, entender melhor outras, e ser mais generosa – comigo e com os outros.

Esta é uma mudança que recomendo a todos. Ela não acontece de uma hora para outra. Depende de pequenos passos, é verdade. E é sempre incrível, porque, a cada passo que você dá, fica mais longe de onde esteve.  Pode ver novas coisas a melhorar que te levarão ao próximo degrau.

Então…que tal tentar e ver como você sente?

 

 

PRÁTICA

Para não deixarmos que minhas maluquices morram na praia, vou buscar sempre deixar uma prática: uma sugestão de algum exercício que me trouxe um bom resultado, fruto do instinto, das leituras ou das conversas com outras pessoas.

Por isso, gostaria de propor algo bem simples que, mesmo você estando com muita pressa, pode fazer.
1. Escreva em uma folha a pergunta: Por que eu tenho pressa?
2. Deixe-a visível, como em uma parede, ou em um local que você acessa frequentemente, como o banheiro uma agenda ou diário;

3. Não tenha pressa em responder imediatamente, nem pare na primeira resposta, mas anote na folha seus pensamentos. Faça isso por um tempo significativo (que tal um mês, no máximo?) até que tenha um conjunto razoável de respostas que parecem fazer sentido e servirão de subsídio para que você saiba o que pode fazer;
4. Depois, trace e se comprometa com uma ação prática e possível para adotar no seu dia-a-dia.
Se quiser, publique sua experiência no instagram e twitter usando #assimpassa ou nos envie um e-mail!

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O elemento imutável da vida

É verdade. Mais um ano se passou. E sigo acreditando nisso.

Agora faz exatamente vinte e nove anos e vinte dias desde que saí da barriga da minha mãezinha, naquele dia bonito, feliz e ao mesmo tempo triste, de três de junho. 

Isso significa que desde que estou aqui, a Terra já deu mais de vinte voltas completas ao redor do sol. Mas, para eu chegar até ali, muita coisa precisou acontecer.

Se pudesse escolher, certamente faria alguns ajustes capazes de tornar tudo mais leve. Mesmo assim, diferente do que eu dizia no passado, eu gosto de ter vindo.

Porque, é claro, eu poderia ter escolhido outro dia. Eu poderia ter vindo antes. Eu poderia ter vindo depois. Eu poderia nem ter vindo.

Mas não. E, talvez tenha acontecido do jeito que tinha que acontecer. As coisas poderiam ter sido diferentes, e minha mãe poderia gritar outro nome quando fosse brigar comigo.


Mas não.

Era para eu me chamar Eslim.

Ainda bem, naquela noite, a Lua decidiu ser tão linda, mas tão linda, que minha mãe decidiu que iria me dividir não só com o meu pai, mas com algo que, até hoje, me acalma.

E, assim, passei a me chamar Luana, nascida da Lua.

É preciso dizer que ninguém se chamava Luana e eu precisava ficar repetindo toda vez que me apresentava – o que não adiantava muito, porque logo eu escutava alguém falando Luciana, Luane, Luísa, Lúcia e até Bruna ou Camila.

Então eu não gostava do meu nome, até bem pouco tempo atrás. Só que até bem pouco tempo atrás eu não entendia uma porção de coisas (e a maioria delas segue assim mesmo).


Por outro lado, entendi outras

foi mais ou menos assim, ou o inverso


Entendi que a vida é mesmo feita de ciclos, que tudo passa, e que tudo que acontece, quando a gente aprende a respeitar e processar, acontece por alguma razão.

A partir daí existem pelo menos duas opções: acreditar nisso sem nenhum embasamento adicional (hoje sou capaz de reconhecer que nem tudo precisa de explicação) ou não acreditar tão facilmente.

Se você e o ceticismo são íntimos – e não duvide que este não deixa de ser o meu caso – há um outro viés pelo qual olhar, e você nem precisa seguir uma religião ou ser espiritualizado. Basta que você imagine o seguinte:



pode ser que a razãde as coisas “serem” somos nós que criamos a partir da interpretação que damos ao que acontece.


Basicamente, não importa no que você acredita: basta que você aceite que não pode controlar tudo. Portanto, gerenciar os acontecimentos é a única opção disponível. Fazemos isso o tempo todo. Mas o modo como fazemos dá toda a diferença.

E é assim que passa

tudo é uma questão de perspectiva


Do jeito que você escolhe olhar para cada coisa. Porque vai passar. E existe um campo fértil de possibilidades para cada uma dessas coisas.

Coisas boas, coisas ruins. Coisas neutras que ás vezes deixamos de dar atenção mas fazem uma diferença danada quando são juntadas num punhado de tempo, de anos, de experiências.

Eu precisei de tudo isso: anos, experiências, feridas abertas prejudicando minha vida, fugas e desencontros de mim mesma. Muita negação ruindo.

Foi um longo processo onde mudanças imprescindíveis aconteceram. Até que cheguei aqui: a lugar nenhum importante para alguém, mas fundamental para mim.

Porque nenhuma das minhas mudanças mudou no mais gostoso de ser eu.

 

Mudando sem mudar


Mudei muito desde aquele 1990, mas a minha essência permaneceu lá dentro, esse tempo todo, intacta.

Trocou de forma. De tamanho. Se escondeu. Aborreceu-se, omitiu-se. Hora ou outra dava um sorriso e saía dançando, mas logo se amuava num canto, cansada de ser ignorada mais uma vez.

Só quando eu senti minha falta e descobri que precisava dela para me achar, decidi encontrá-la. E descobri que eu não sou o que eu imaginava que seria aos 29.

Se teve uma coisa que eu não me tornei, foi a Luana adulta que eu imaginava quando criança. Essa “Luana de 29 anos” não chega nem perto daquela projetada pela mente da Luana de quatro, doze, dezesseis.

Ainda bem.

Eu gosto muito mais dessa versão.

Nela eu aprendi uma porção de coisas que nem minha idealização infantil mais bonita seria capaz de supor. A maioria delas não são coisas fáceis de explicar, tangibilizar, ensinar.


Mas eu vou tentar. É por isso que estou aqui.

Então, prometo ser sempre honesta. Porque você precisa saber algo sobre mim: não consigo dizer algo em que eu realmente não acredite com toda minha força.

Por outro lado, como você pode ter notado, acredito que mudar de opinião, de ideia, de sonhos, faz parte de crescer – foi assim comigo, e se você está presente é ou será com você também.

Portanto, esteja ciente: estou muito longe de ter respostas – inclusive, faz tempo, elas deixaram de ser objeto de desejo. Porém, sigo curiosa.

Metamorfose Ambulante - Raul Seixas
“Prefiro ser essa metamorfose ambulante. Mas sou inevitável e tô vivão, seus bosta.”


Assim, espero que você entenda e lembre que nada do que trago são paridas como verdades absolutas. São percepções que decidi compartilhar por entender que podem ser construtivas em algum ponto da SUA jornada, como foram ou têm sido da minha.

Também não tenho intenção de agradar você.

Mas sou ousada o suficiente para sonhar que um dia, você entenderá algo novo sobre você mesmo enquanto estiver lendo algo por aqui, algo que te ajude a ser de um jeito que te deixe mais feliz.

Então, eu espero, do fundo do meu coração, te ajudar a encontrar suas peças e montar pelo menos um pedacinho do seu quebra-cabeças, enquanto quebro a cabeça buscando caminhos para decifrar o meu.

Sinta-se em casa. Senta aí e fica a vontade.


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